CCO – Conectivos e Conexão de Orações

Sessão comemorativa


 Sessão comemorativa dos 3 anos de fundação do CCO – Grupo de Pesquisa Conectivos e Conexão de Orações – Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense – Dia 25/09/2018


 

Discurso de abertura da Sessão solene do 3º ano de fundação do
Grupo de Pesquisa Conectivos e Conexão de Orações

 

Prezados docentes, discentes e participantes, boa tarde a todos.

É com muita satisfação que abro os trabalhos desta tarde, que tem como objetivo celebrar o aniversário de fundação do jovem grupo de Pesquisa Conectivos e Conexão de Orações. No último dia 15 de setembro, completamos nosso terceiro ano de existência. Por isso estamos aqui.

Antes de prosseguir, quero cumprimentar e chamar à mesa a Profª Drª Ida Maria Santos Ferreira Alves, diretora do nosso Instituto de Letras. E quero convidar também a Profª Drª Silmara Cristina Dela da Silva, atual vice-coordenadora e coordenadora eleita do nosso Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem.

De antemão, quero agradecer muito a essas duas professoras aqui presentes, que prontamente aceitaram nosso convite para estarem conosco nesta mesa de abertura. Quero publicamente agradecer a ambas por todo apoio ao nosso grupo CCO e às atividades acadêmicas que aqui realizamos, e com estas palavras, estendo também meu agradecimento à Profª Drª Monica Maria Guimarães Savedra, atual coordenadora do nosso Programa de Pós-graduação, que infelizmente não pôde estar presente.

Falar do CCO – Grupo de Pesquisa Conectivos e Conexão de Orações – é sempre motivo de muita emoção para mim. Entrei na UFF no ano de 2005 para cursar o meu mestrado. Foram sete anos como discente até a conclusão do doutorado, sob a orientação competente e dedicada da Profª Drª Mariangela Rios de Oliveira. Ao longo desse percurso formativo, meu interesse pela conexão e pelos conectivos foi crescendo gradativamente.

No mesmo ano em que concluí o doutorado, iniciei minhas atividades docentes na UFF, em 2012, já como professor concursado desta casa. Foi quando iniciei de maneira mais efetiva a minha participação no Grupo de Estudos Discurso & Gramática, já então fortemente consolidado no país como um locus respeitado de pesquisas funcionalistas. Aliás, até hoje sou membro desse grupo que se destaca pela sua qualidade e vitalidade acadêmica.

A partir de muitas discussões travadas no âmbito do D & G, a partir de minha pesquisa científica na área de correlação aditiva e também a partir de questionamentos de alunos de graduação e de pós-graduação, o meu desejo de instituir um locus focado nos conectivos e na conexão de orações foi crescendo cada vez mais, até que no dia 15 de setembro de 2015 fizemos nossa primeira reunião do CCO, sob total apoio do D & G. Aliás, costumamos dizer que somos um filho do Discurso & Gramática, visto que caminhamos de forma independente mas, ao mesmo tempo, em permanente colaboração e interação mútua.

Desde aquela data, nosso grupo tem se fortalecido cada vez mais. Hoje o CCO conta com 4 docentes, sendo dois da UFF e dois da UERJ, além de aproximadamente 20 discentes, em nível de graduação e pós-graduação.

O objetivo do grupo é investigar o papel dos conectivos na gramática do português e os diversos processos de conexão de orações, nas abordagens tanto sincrônica quanto diacrônica. Partilhamos uma visão funcionalista da linguagem, mas nossas investigações estão sempre abertas ao diálogo com outras vertentes teóricas.

No grande mosaico de nossos atuais temas de pesquisa, estão o papel morfossintático e semântico-pragmático dos operadores argumentativos, dos marcadores discursivos e de todos os elementos de conexão lato sensu, incluídos as preposições, as conjunções, os advérbios e outras categorias da gramática. Nosso foco está igualmente nos processos canônicos e não canônicos de integração de orações. Dentre eles, destacam-se a parataxe, a hipotaxe, o encaixamento, a correlação, a justaposição e outros.

Desde a fundação do grupo, já realizamos dois seminários nacionais, com participação de pesquisadores de todas as cinco regiões do país. Esses eventos têm rendido importantes discussões, além de produtos, como anais e textos publicados em periódicos. Além disso, já foram titulados sete mestres, já foram concluídos dois trabalhos de iniciação científica. Em curso, temos bolsistas de IC, de mestrado e de doutorado em plena atividade. Tudo isso em apenas 3 anos.

Por fim, ainda no campo da nossa missão, deve ser destacado que o CCO tem também como objetivo traduzir as pesquisas realizadas no âmbito acadêmico em reais contribuições às práticas de ensino, não só no ensino superior como também na educação básica (ensino fundamental e ensino médio). Assim, a relação universidade x escola está sempre em nosso raio de atuação.

Hoje, após esses três anos, consideramos que nosso breve histórico é de sucesso. Afinal, fazer ciência de qualidade, em uma área pouco prestigiada, em um período obscuro de cortes de verbas, sem dúvida, é um ato político de coragem. E coragem nunca nos falta. Quinzenalmente nos reunimos e, por meio da interação face a face, desenvolvemos nossas discussões, perquirições, dúvidas e proposituras. E em meio a tudo isso, sempre encontramos espaço e tempo para diálogo e relações de amizade. Afinal, quem disse que na Academia não podemos unir o útil ao agradável? Costumamos dizer que somos uma grande família. Trabalhamos muito, estudamos muito, mas sem a ideia de fardo. Fazemos nossos trabalhos com qualidade e com alegria, com competência e com satisfação.

E essa grande família está aqui hoje e, neste momento, gostaria que cada membro do nosso grupo se apresentasse aos presentes.

Para utilizar uma metáfora muito usual em nosso corpo teórico, dizemos que somos uma rede com nós interconectados. Estamos sempre dispostos a construir novos conhecimentos, em espírito de harmonia e de colaboração uns com os outros. Obrigado aos presentes.

Por todos esses motivos, decidimos organizar essa tarde, para que vocês, participantes, testemunhassem nossa alegria e para que conhecessem um pouco as nossas atividades científicas. E como a data é muito especial, precisávamos também de um convidado à altura, que pudesse marcar este momento. É por esse motivo que, com muitíssima honra, convidamos o Prof. Dr. Evanildo Bechara, a quem convido à mesa neste momento.

Prof. Dr. Ivo da Costa do Rosário

Líder do Grupo de Pesquisa Conectivos e Conexão de Orações

 


Homenagem a Evanildo Bechara

 

Boa tarde, Professor Bechara!

Boa tarde, prezados participantes desta edição comemorativa do 3º. ano de fundação do Grupo de Pesquisa Conectivos e Conexão de Orações!

Boa tarde, pesquisadores do CCO!

 

Antes de tudo, gostaria de agradecer ao Professor Bechara pela honraria que nos proporciona por estar participando desta comemoração. Neste recinto, tenho a mais absoluta certeza, somos todos seus alunos, de forma direta ou indireta.

Quem de nós não aprendeu sobre as normas da língua portuguesa em suas obras? Quantas vezes já não participamos de eventos em que suas palestras tanto nos fizeram refletir e aprofundar nosso conhecimento sobre língua materna? Nesse momento, gostaria de pedir licença a todos e dar um depoimento pessoal: minha primeira gramática, quando estava no antigo “1º. Grau”, nos idos anos de 1970, foi a Moderna Gramática Brasileira, a qual tenho até hoje, embora já possua edição mais nova. Na universidade, conheci também “Lições de Português pela Análise Sintática”, na ocasião, obra esgotada, e, aqui, vou precisar confessar um “crime”: eu consegui uma cópia em xerox, e, embora tenha adquirido um exemplar quando de sua reedição, no final dos anos 1990, nunca me desfiz daquela versão xerocopiada, pelo tanto que suei para tê-la; é como se fosse um talismã. Professor, aprendi tanto, tanto, com seus ensinamentos, e, por meio deles, apaixonei-me tão profundamente por Língua Portuguesa, que me tornei professora de língua materna. Hoje, entre tantas obras importantes sobre os padrões normativos da nossa língua, as suas sempre se destacam nas minhas indicações aos meus alunos.

Sei que o que acabei de relatar encontra eco em vários outros professores que aqui estão. Muito do que somos devemos ao senhor e à imensa contribuição que deu e continua dando ao ensino de língua materna e aos estudos linguísticos em geral. Mas é importante ressaltar que o senhor nos é referência para além da sua obra. Contar com a sua presença constante no espaço acadêmico nos mostra que o melhor caminho para a educação brasileira, e, no que nos diz respeito diretamente, para o ensino de língua materna, é o diálogo constante entre a academia e a prática nas salas de aula.

Esta não é uma homenagem pautada pela erudição, mas, sim, pela emoção, sendo também uma oportunidade, professor, de celebrarmos seus 90 anos – completados no dia 26 de fevereiro. Nossos mais sinceros parabéns! Desejo que nós nos miremos no seu exemplo e possamos seguir pelos caminhos do ensino e da pesquisa, sendo sempre muito produtivos em qualquer instância da nossa atuação.

Portanto, encerro dizendo que, para mim e, creio, para todos do CCO e para os demais professores aqui presentes, a partir de hoje, o senhor não será mais apenas uma metonímia – quem aqui nunca pronunciou a frase: “Vamos consultar a gramática do Bechara”? A partir de hoje, quando o temos aqui, bem diante de nós, o senhor é a obra personificada, é língua em uso, honrando-nos com mais essa aula magnífica que acabamos de presenciar.

Muito obrigada!

Prof. Drª. Ana Beatriz Arena

Vice-líder do Grupo de Pesquisa Conectivos e Conexão de Orações


 

Vejam os registros fotográficos de nossa sessão comemorativa.
Foi um grande sucesso!